domingo, 6 de março de 2011

Dança Gatinho!!!!

Confesso que esse ano estou um tanto quanto desanimada e sem inspiração para escrever aqui. Sei lá o que acontece, só sei que travei. Minha vida está tranquila, casa, marido, filhos tudo ok, mas sabe quando chegamos naquela fase que "se melhorar estraga"? Pois é, estou assim. Meu momento hoje é apenas para agradecer e percebi que só tenho palavras para escrever quando estou triste com alguma coisa. Bizarro!!!!! Na verdade, acho que todos os momentos são puramente aprendizagem. E cá estou eu esperando as novas lições que a vida mandará.
Aproveitando o post, ontem assistimos o programa do Rodrigo Faro, "Melhor do Brasil", e ouvi uma frase que honestamente achei PÉSSIMA!!!!! Uma conotação sexual de quinta categoria, que traduz a voz da nova geração, por favor, "abunde-se" em algum lugar seguro, pois tenho certeza que cairá da cadeira ao ouvir isso: "gratinar no forno". Pois é pois é pois é! Para um bom entendedor isso basta. Cara! Pelo amor de Deus! Rapazes no palco pronunciavam ao público o desejo de gratinar no forno. PÉSSIMO.  E o pior é que a moda pegou na rede Record. E os apresentadores acham LINDO repetir igual uns retardados tal frase chula e ofensiva as mulheres.
Honestamente, minha teoria é que por falta de criatividade ou melhor, canais educativos e programas culturais não dão audiencia, o jeito é apelar pelo o que o "povão" gosta e se diverte!!!! Confesso que o programa do Faro é um pouco engraçado, lógico que é um humor barato e ele se presta ao papel de se humilhar pela bagatela de milhões em seu bolso. Ele provavelmente deve estar milionario agora, e hoje, num dia típico de domingo, deve estar sentado em seu sofá orgulhoso de seu talento de entrerter o povo brasileiro.
Vergonha! É o que sinto. Vergonha!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Ahhh o verão!!!!!!!!!!!!

Tem coisas que acontecem simplesmente por falta de atenção e tem outras que ocorrem exatamente porque devem ocorrer naquele momento. Algumas coisas são certezas na vida, como o cair da noite, por exemplo. É bom saber que depois de um longo dia de calor escaldante, a noite chegará com seu beijo suave e fresco. Adoro noite de verão. Adoro sentar na calçada e olhar meus pequenos brincarem descalços e alegres. E aos poucos, os vizinhos saem de suas casas e se aconchegam ali, uns pegam cadeiras, outros ficam de pé, outros sentam no chão. Conversas tranquilas regadas a gargalhadas das crianças num tom tão alto que embaralha a cabeça. Mas ninguém se incomoda com aquilo. Não importa se o jornal vai começar ou se a novela acabou, importa apenas estar em boa companhia e aproveitar pequenos momentos que nos é dado em noites de verão.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Destralhe-se

By Carlos Solano

"-Bom dia, como tá a alegria"? Diz dona Francisca, minha faxineira rezadeira, que acaba de chegar.
"-Antes de dar uma benzida na casa, deixa eu te dar um abraço que preste!" e ela me apertou.
Na matemática de dona Francisca, "quatro abraços por dia dão para sobreviver; oito ajudam a nos manter vivos; 12 fazem a vida prosperar".
Falando nisso, "vida nenhuma prospera se estiver pesada e intoxicada". Já ouviu falar em toxinas da casa? 
Pois são:
- objetos que você não usa,
- roupas que você não gosta ou não usa há um ano,
- coisas feias,
- coisas quebradas, lascadas ou rachadas,
- velhas cartas, bilhetes,
- plantas mortas ou doentes,
- recibos/jornais/revistas, antigos,
- remédios vencidos,
- meias velhas, furadas,
- sapatos estragados...

Ufa, que peso! "O que está fora está dentro e isso afeta a saúde", aprendi com dona Francisca. "Saúde é o que interessa. O resto não tem pressa!", ela diz, enquanto me ajuda a 'destralhar', ou liberar as tralhas da casa...
O 'destralhamento' é a forma mais rápidas de transformar a vida e ajuda as outras eventuais terapias. Com o destralhamento:
- A saúde melhora;
- A criatividade cresce;
- Os relacionamentos se aprimoram...

É  comum se sentir cansado, deprimido, desanimado, em um ambiente cheio de entulho, pois "existem fios invisíveis que nos ligam à tudo aquilo que possuímos".
Outros possíveis efeitos do "acúmulo e da bagunça":
- sentir-se desorganizado;
- fracassado;
- limitado;
- aumento de peso;
- apegado ao passado...

No porão e no sótão, as tralhas viram sobrecarga; Na entrada, restringem o fluxo da vida; Empilhadas no chão, nos puxam para baixo; Acima de nós, são dores de cabeça;
"Sob a cama, poluem o sono".
"Oito horas, para trabalhar; Oito horas, para descansar; Oito horas, para se cuidar."

Perguntinhas úteis na hora de destralhar-se:
- Por que estou guardando isso?
- Será que tem a ver comigo hoje?
- O que vou sentir ao liberar isto?

...e vá fazendo pilhas separadas...
- Para doar!
- Para jogar fora!

Para destralhar mais:
- livre-se de barulhos,
- das luzes fortes,
- das cores berrantes,
- dos odores químicos,
- dos revestimentos sintéticos...

e também...
- libere mágoas,
- pare de fumar,
- diminua o uso da carne,
- termine projetos inacabados.

"Se deixas sair o que está em ti, o que deixas sair te salvará.. Se não deixas sair o que está em ti, o que não deixas sair te destruirá", Arremata o mestre Jesus, no evangelho de Tomé.
"Acumular nos dá a sensação de permanência, apesar de a vida ser impermanente", diz a sabedoria oriental. O Ocidente resiste a essa idéia e, assim, perde contato com o sagrado instante presente.

Dona Francisca me conta que "as frutas nascem azedas e no pé, vão ficando docinhas com o tempo". A gente deveria de ser assim, ela diz: 
"Destralhar ajuda a adocicar." 
Se os sábios concordam, quem sou eu para discordar...
Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar 
Dalai Lama

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Luto!


Meus lábios emudeceram e meus dedos renegaram o teclado do computador. Tentei escrever alguma coisa mas estava travada, nada eu gostava e todos “posts” deletava. Me calei por Luto. Me calei por respeito. Me calei para mudar meu interior. Logo logo será 1 mês sem uma pessoa muito especial. E o engraçado é a reação do povo quando vê que no perfil do meu Orkut está Luto! Uma agonia para saber quem morreu, mas ninguém realmente se importa com a dor que estamos sentindo, querem apenas matar a santa curiosidade que os regem. Mas tudo bem, no fundo todo mundo é assim... você é e eu também sou!
Hoje, todos os dias penso e penso sobre tudo.... e confesso que estou no caminho de ser uma pessoa melhor... deixei a cara feia na gaveta e estampei um lindo sorriso no rosto... aprendi a olhar para o céu e observar as estrelas, pela primeira vez senti como é gostoso tomar banho de chuva e continuar com a roupa molhada.
Uma ano como esse que acabou de nascer, um ano que será regido pelas mulheres, pelas donas das águas e pela senhora dos ventos, será um ano de renovação, um ano de reflexão, um ano para jogar fora velhos sentimentos e trazer a tona toda a beleza da infância.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

DUAS BOLAS, POR FAVOR!

Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa,contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido.
Uma só.
Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.

O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.
A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').

Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta./

Tem vontade de ficar em casa vendo um dvd, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar./

E por aí vai.

Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...
Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...

Às vezes dá vontade de fazer tudo “errado”.
Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos.
Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.

Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.

Um dia a gente cria juízo.
Um dia...
Não tem que ser agora.

Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de chocolate...
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago."

Danuza Leão

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A chuva

Semana marcada pela chuva e frio. Em plena férias escolares o tempo não colabora com os pequenos. Eles, além de entediados ficam completamente tristes por terem que brincar dentro de casa. A sala de estar vira playground com direitos a vários brinquedos espalhados pelo chão. Cobertores se tornam cabanas e ursos de pelucia gigantes se tornam amigos reais. Aproveito para rolar no chão junto. A programação do Discovery Kids já decorada, aproveito para dar continuidade em um projeto antigo. Resolvi voltar a trabalhar em meu livro, uma vez que as tarefas domésticas são perdoadas em dias chuvosos. Com a desculpa da chuva lá fora, fico sentada no sofá, enrrolada ao cobertor, deixando apenas as mãos para fora. Isso sem contar na quantidade absurda de café que estou ingerindo essa semana. E nem isso tira meu sono. Sem filmes novos em cartaz no cinema, o refúgio é nosso lar. Ainda quentinho por conta do aquecedor ligado. Dias assim são bons, mas estou ansiosa para o sol, voltar a bater na janela do meu quarto.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Água mineral fervida?

É engraçado como encontramos pessoas estranhas em consultórios pediátricos. Ontem numa consulta de rotina dos meus filhos, na sala de espera conheci um casal com um bebezinho de 42 dias. Uma gracinha o bebê. Os pais muito simpáticos e completamente desesperados com o pacotinho nos braços. Inevitavelmente iniciamos uma conversa sobre crianças. Sempre me perguntam se são gêmeos e como eu aguentei toda a pressão. Educadamente respondo que "aguentei ué", e que se eu consegui eles também conseguem. Entre uma pergunta e outra, eles me contaram que fervem água mineral para dar banho no pequeno. Solto uma risada escandalosa e histérica. Fiquei com vergonha, pois somente eu estava rindo. Peço desculpas e tento me explicar que achei que fosse uma piadinha básica. Eles respondem sérios que não, que realmente fazem isso, o pai emenda na hora que acha um desperdicio, a mãe diz que não, que se preocupa com a saúde do filho. O clima fica um pouco tenso e ficamos mudos. Após um tempo, soltei "pergunta para a médica, é melhor né?", ela concorda. O pai, na minha opinião louco para economizar dinheiro, começa um interrogátorio imenso sobre como criei os meus pequenos. Respondi com muita boa vontade. Afinal, não é fácil ser pais de primeira viagem. Eu sei, pois eu fui também, e logo de dois de uma vez. São muitas dúvidas, medos e etc nessa fase. Acabamos nos entendendo, eu e a mãe do pacotinho azul. O pai fez uma cara de aliviado, talvez em saber que algumas coisas são simples, como por exemplo a água do banho.
Voltei para a casa com a sensação de dever cumprido. Não que eu seja especialista em crianças, mas dei conta do recado. Afinal, quando nasce uma criança, nasce uma mãe, não é mesmo?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A dor de uma depilação

Decidida a economizar dinheiro, e extremamente necessitada de uma "sessão mocréia" (leia-se depilação, manicure, cuidados com o cabelo e etc), segui firmemente rumo a uma perfumaria próxima da minha casa. Mesmo com a chuva caindo lá fora, fui firme ao meu destino. Comprei tudo o que precisava, tinta para o cabelo, cera quente que derrete no microonda (achei uma idéia fascinante a príncipio) e a vendedora jurou ser suuuuuper prática e fácil de aplicar, esmaltes, lixas e demais apetrechos para virar uma diva de cinema.
Cheguei em casa me achando poderosa e auto suficiente, afinal, iria provar que não preciso terceirizar esse serviço. Afinal de contas não sou uma mulher limitada, cozinho muito bem obrigada, e recentemente aprendi a costurar saias que uso nos candomblés. Logo, porque não seria capaz de depilar a virilha?
Preparei a tinta e apliquei no cabelo conforme instruções do rótulo. Nessa etapa estava apenas de soutiã e calça comprida, pois não tinha nenhuma camiseta velha para sujar com tinta preta. Pensei, bom, enquanto espero o efeito da tinta, os benditos 45minutos eternos, vou depilar minha virilha. Fui até a cozinha com o potinho que parecia um pote de margarina, derreti a cera no microondas e voltei ao banheiro para realizar a depilação de uma forma tranquila. Pois bem, ao chegar no banheiro e tirar a calça, calcinha a cera esfriou... voltei correndo até a cozinha (lembrem que estou agora apenas de soutiã), meus filhos me olharam estranho e vieram atrás de mim... derreti a bendita novamente, e resolvi aplicar na cozinha mesmo, segui as instruções, porém não foi bem do jeito que estava na embalagem. Ninguém havia dito que ao pegar a cera com a espátula formava um fio de cera do pote até a minha pele. A primeira puxada foi tranquila, mesmo porque passei em uma região sem pelos. Novamente a cera esfria. Esquento mais uma vez no microondas, dessa vez até de mais, pois ela ficou líquida. E segui determinada ao meu próposito de auto depilação. Dores fortes. Muitos fortes. Meus olhos escorriam lágrimas, e minha boca gritava como uma louca. Esquentei a cera mais umas mil vezes para poder utiliza-la, esfriava muito rápido. Então, resolvi deixar um tempo superior o orientado na embalagem, logo a cera ficou mais quente que o previsto, passei na pele e abanava, mas queimava muito, fui atras de um ventilador para tentar esfriar a cera em minha pelizinha, porém, a cera ficou mais do que o ideal na pele e a bendita endureceu de tal forma que achei que nunca mais sairia. Nervosa com a situação, e delicada como uma vaca indo para o abate, bato minha mão no potinho de cera quente (pelando) e derrubo por toda a região da virilha, pela minha mesa, cadeira, chão, dedos (que grudaram perfeitamente uns nos outros) e unhas. Sinto uma coisa escorrendo pelo meu pescoço e lembro que já está na hora de lavar o cabelo. Meu celular toca, meus filhos gritam na sala e a cera em toda a minha "perseguida". Procuro loucamente o tal do óleo removedor que comprei e numa tentativa frustrada acabo com metade do vidro. "Terei que puxar mesmo", pensei num silêncio de dor que estava em mim. E puxei. Puxei e puxei. E gritei, gritei e gritei. A dor mais intensa que senti até hoje. Com a ajuda da espátula fui aos poucos me libertando daquela meleca com cheirinho de maçã verde. Não sei direito como foi, mas meus pés também tinham cera. E após duas horas de longo sofrimento e tortura, enfim me livrei dos pelos e da bendita cera. Meu pescoço estava todo escorrido da tinta preto azulado que tanto gosto, debaixo das unhas cera endurecida misturada com a tinta de cabelo. Corri para o chuveiro, e desta vez acabei com o vidro de óleo removedor. Graças a famosa bucha vegetal e muito esforço, consegui eliminar todos os vestígios da cera de meu corpo. Lembrei da vendedora. Uma vontade de voltar na loja e matar aquela mulher maldosa e sádica. Limpei minha cozinha. Desisti de fazer as unhas e qualquer outra coisa para virar uma diva. Minha virilha está vermelha e completamente dolorida, isso sem falar em algumas partes que sangraram. Percebi que algumas coisas realmente devem ser feitas por outras pessoas. Depilação com cera quente é uma por exemplo. Completamente frustrada e dolorida, acendo um cigarro e agradeço a Deus por ter sobrevivido a esta experiência insana que passei hoje. Agradeci ainda, por ter restado pele na região já citada. E agradeci, principalmente, por existir lugares especializados (salões de beleza) para executar essas tarefas. Realmente tem coisas que o dinheiro não compra, mas para depilação com cera quente existe mastercard, ou visa, amex, ou dinners ou ainda usar a boa e velha gilette.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Hã?

Quem foi que definiu o certo e o errado? Nossos valores nasceram de quem? Como saber se nossas atitudes são realmente coerentes? As vezes para agradar alguns desagradamos outros. Porque não podemos fazer os dois? Porque temos que escolher sempre alguma opção? Porque precisamos fazer escolhas afinal?

Perdida entre o certo e o errado, ou melhor, entre o que eu quero e o que não quero fazer, resolvo ser política ao extremo. Política sim, e mesmo assim verdadeira em meus sentimentos. Tenho que aprender que as pessoas, assim como eu, também são obrigadas a fazer escolhas que nem sempre as agradam.

Enquanto isso, olho pela janela e vejo inúmeras casinhas a distancia, e penso aqui, tantas pessoas devem estar nesse momento em algum impasse da vida perante as escolhas que somos obrigados a tomar. E então, acendo um cigarro e tomo uma xícara de café.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Então...

Hoje, meu telefone tocou. Sem pressa o atendi. Ali naquela ligação escutei algo que me fez chorar. Chorei de tristeza, senti raiva, senti tudo aquilo que não queria sentir. Fiquei desorientada ao desligar o telefone, segui em direção da minha cozinha, sentei-me a mesa e resolvi jantar. Respirei fundo, tão fundo que a comida de meu prato chegou a esfriar. Enxuguei as lágrimas. Abri um vinho e resolvi abrir meu coração. Na lembrança daquelas palavras, o desespero e a angústia se fizeram presentes, porém já não é mais hora de sofrimento, decidi pela sanidade.

Sentei-me no sofá da minha sala cheia de brinquedos espalhados ao chão, e olhei para o nada, e encontrei tudo. Encontrei na prateleira de minha estante, um livro recem comprado, mas um livro já antigo, e nele busquei um conforto louco e incessante pela raiva que meu peito agora guardava. Abri suas páginas ao acaso, e a resposta mais simples e sublime se fizeram presentes nas palavras em preto naquela folha branca. Entre um gole e outro de vinho, encontrei a paz ao ler: "Embainha de novo sua espada, pois aquele que mata pela espada perecerá pela espada?...Amai-vos uns aos outros, e então ao golpe do ódio respondereis com um sorriso, e ao ultraje com o perdão. O mundo sem dúvida se erguerá furioso e vos chamará de covarde: erguei a fronte bem alto e mostrei, então, que a vossa fronte também não recearia ser coroada de espinhos, a exemplo do Cristo, mas que vossa mão não quer participar de um assassinato autorizado, ...que nada mais é senão orgulgo e amor-próprio...!